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EXERCITANDO
O AMOR
Não estamos expondo ao leitor apenas uma teoria, mas sim,
uma verdade comprovada por fatos colhidos ao longo de muitos anos em contato
com os problemas humanos. Por isso, podemos afirmar, com segurança, que a
grande maioria dos problemas que fazem o ser humano sofrer são oriundos de
sentimentos desequilibrados.
Quando falamos em sentimentos, não estamos nos referindo
ao sentimentalismo, mas sim, aos verdadeiros sentimentos que o ser humano
precisa desenvolver para poder desfrutar da verdadeira felicidade.
Sentir, todos sentimos, porém, cada qual ao seu modo. O
importante, no sentir, é saber por que sentimos.
Quando se pergunta: Por que você ama? Logo vem a
resposta:
Não sei! O amor é cego!
Esse conceito é errôneo; na verdade, o amor não é cego.
As pessoas que amam por impulso é que são cegas e esse sentimento que dizem
ser amor nada mais é do que paixão. Esta sim, é cega! Faz-nos iludir com as
aparências para depois desiludir-nos com a realidade. Por isso, cresce o
número de separações e divórcios no mundo. Todos os dias vemos esse
sentimento equivocado que parecia um grande amor se transformar em ódio.
O verdadeiro amor é um conjunto de sentimentos que
sobrevive a tudo! Inclusive à paixão! O amor é perdão, compreensão e
renúncia. Sem esses ingredientes, não existe o amor.
Este é o amor que precisamos desenvolver!
Não perdoar os erros humanos cometidos pela ignorância é
o mesmo que não perdoar as crianças por não se comportarem como adultos. A vida é a grande pedagoga! Todos os dias, através de
circunstâncias que fogem ao nosso controle, ela nos ensina a caminharmos na
direção do amor ideal.
Os desencontros, a ingratidão e as decepções são
materiais didáticos que nos proporcionam a oportunidade de ensaiarmos esse
amor. Não existe o amor à primeira vista. Quando duas pessoas se encontram e
imediatamente surge entre elas um amor verdadeiro, esse amor não nasceu
naquele momento, com certeza, foi construído algum dia no passado.
Ao contrário da paixão, o verdadeiro amor transcende as
aparências e supera os obstáculos, consolidando-se em uma convivência feliz,
apesar de toda a adversidade que possa enfrentar.
Aqueles que amam de verdade se realizam quando conseguem
promover a felicidade de quem ama.
O verdadeiro amor coloca, acima dos próprios direitos, os
direitos da pessoa amada. Um amor desse porte, nada pode destruí-lo; ele
supera o orgulho e todas as paixões que possam prejudicá-lo. É esse amor que
se perpetua na eternidade! Supera os interesses materiais e físicos, para
consolidar-se no espírito eterno.
Estamos falando do amor entre um homem e uma mulher, mas
é esse mesmo amor que um dia vai prevalecer entre todas as criaturas. Por
isso, podemos afirmar, com segurança, que o casamento e a constituição da
família compõem valioso laboratório para desenvolvê-lo.
É na convivência domiciliar de uma família que acontecem
os reencontros mais importantes entre os espíritos em evolução. Na maioria
dos casos, são espíritos que se reúnem para exercitarem entre si o perdão, a
fim de apagarem as marcas dos desencontros e conflitos vividos em
encarnações passadas. É esse convívio, muitas vezes difícil, que, se bem
compreendido, pode levar os espíritos envolvidos à consolidação do
verdadeiro amor. Para isso, entretanto, é necessário muita compreensão,
tolerância e o exercício constante do perdão.
Certa ocasião, uma senhora procurou-me. Estava aflita.
Seu filho de dezoito anos saíra de casa pela terceira vez. Só que, desta
vez, fazia dez dias e ele ainda não havia retornado. Desabafou:
– Eu não sei se devo ir à polícia ou procurá-lo nos
hospitais; estou desesperada.
Durante o momento em que ela desabafava, o amigo
espiritual que me assistia naquela ocasião informou-me que o rapaz estava
bem e que ele sofria de uma aversão pela mãe. Tornava-se necessário apagar
certos registros existentes no seu subconsciente. Eu a orientei:
– Não se preocupe, seu filho está bem e vai voltar. Mas é
preciso que a senhora colabore com os seus pensamentos. Todos os dias,
converse mentalmente com ele; use a sua imaginação para abraçá-lo como se
estivesse presente ao diálogo. Diga-lhe que o ama muito. Peça perdão por
possíveis erros cometidos em outras vidas contra ele. Use de palavras firmes
e sinceras, faça-o sentir que você precisa dele e ele de você.
Passados alguns dias, o rapaz retornou para casa e
abraçou-a como nunca o fizera antes. Chorou muito e confessou-lhe que sentia
alguma coisa que o distanciava dela. Era um sentimento que não sabia
explicar. Sentia uma vontade constante de ficar longe, mas desta vez
percebeu que, apesar de tudo, ele deveria aprender a amá-la.
A partir daí, os dois passaram a desfrutar de uma
convivência feliz. Todas as noites ela continua praticando a reconciliação
mental. Hoje ela sente que passou a amar ainda mais o seu filho.
O problema desta mãe e deste filho é igual a muitos que
existem por aí no seio das famílias, cuja solução está nas próprias pessoas
envolvidas. Mães cujos filhos se revelam desde cedo rebeldes, além de
corrigi-los energicamente, usem da vossa mente para gravar, no subconsciente
deles, as responsabilidades que a própria vida nos impõe e as quais devemos
cumprir e respeitar. No caso de aversão espontânea revelada desde cedo, faça como a nossa irmã
que reconquistou seu filho. Trabalhe o amor e o perdão no seu subconsciente
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